terça-feira, 23 de junho de 2009
Sem Rosto...
Folhas caídas, vento leve, sol brilhando... era uma típica tarde de Outono. Há muito tempo aquele rapaz, que aparentava ter uns 20 anos de idade, não parava para apreciar a beleza de uma tarde como aquela. Muito embora fosse sua época preferida do ano, não tinha tempo livre como antigamente, e, muitas vezes, enquanto as árvores perdiam suas folhas... ele sequer as via.
Porém, naquela tarde, ele estava livre. Livre dos problemas, livre da rotina, livre de tudo. Mal acreditava que podia caminhar tranquilamente e pensar em sua própria vida, e era realmente o que fazia; Pensava no rumo que sua vida tinha tomado, se realmente compensava viver da forma vivia, sem tempo pra coisas tão simples, tais como, caminhar... apenas caminhar...
Estava no centro da cidade, mas estava com o pensamento tão longe, que demorou a notar que não havia ninguém lá.
- Coisa estranha, tarde bonita, e ninguém nas ruas - resmungou sozinho.
De fato, era mesmo estranho, entretanto, era o que ele realmente queria, ficar sozinho.
Atravessou a rua sem olhar para os lados, chutando as flores amarelas de Ipês, que cobriam o chão...
- Aah! Os Ipês! Há quanto tempo não reparo nisso! - Disse sorrindo.
Deu mais uns passos, e estava em frente a igreja. Era grande e bonita, haviam reformado. Embora não fosse muito ligado à religião, achava um trabalho muito bem feito, as estátuas de anjos, as molduras e enfeites. Parou um tempo e ficou observando por um tempo, o céu estava sem nuvens e um azul marcante envolvia o topo da igreja.
O relógio marcava 4 da tarde, embora não tivesse pressa naquele dia, resolveu apertar um pouco os passos, mesmo sem saber o motivo. Foi pelo lado esquerdo da igreja, sentiu um súbito mau-estar, foi o momento em que notou que não estava sozinho.
Muito próximo a ele, haviam 3 mulheres, estavam lá o tempo todo, e o jovem sequer notou!
- Mas como sou distraído! Nem notei as senhoritas ali do lado... vão pensar que sou doido! Aliás, nem sei como não correram daqui! - Sem jeito, pensou.
Aproximou-se, então, das mulheres que ali permaneceram imóveis. Trajavam vestimentas parecidas; vestidos longos e coloridos, pulseiras de ouro (ao menos parecia ser), e muitas outras jóias.
- São ciganas! - pensou consigo.
O rapaz então, passou por elas, mas não houve qualquer manifestação. Sem entender nada, deu meia volta, e tornou a passar por elas. Só que dessa vez, se mexeram.
O medo tomou conta do jovem, assim que olhou para os rostos delas, aliás, assim que olhou para "o que deveriam ser os rostos delas".... Não tinham face! Não havia olhos, narizes, bocas... nada! Era como se tivessem esquecido de desenhar seus rostos, não havia expressão, não havia... nada!
Ele, como qualquer outra pessoa, nunca tinha visto algo como aquilo, ficou perplexo, não conseguia mover um músculo. Foi quando uma delas estendeu a mão para ele, como se o chamasse para conhecer algo novo, como se quisesse ser sua guia por um mundo diferente.
Sem entender absolutamente nada, o rapaz, hipnotizado, correspondeu ao gesto... aceitou o convite. Segurou na mão da cigana.
O mundo parou de girar para ele, a "mulher-sem-rosto", o puxou pra junto dela, e então começou a apertar sua barriga, parecia que queria arrancar seus orgãos... as outras se juntaram e também repetiam o movimento, apertavam e puxavam. Num grito desesperado e sem sucesso, o moço caiu... O céu escureceu, tudo escureceu, seu mundo ensurdeceu... Uma luz acendeu, a cidade estava funcionando, pessoas e carros passavam pelas ruas, preocupadas com seus afazeres e suas rotinas, nem notavam as folhas que caíam das árvores, e ninguém viu nada, ninguém soube... de nada...
Esse conto foi baseado num sonho que tive. Esse mesmo sonho serviu de base para o elemento da 'mulher na parede' de uma imagem que postei aqui há uns mêses, "Show your Face".
Abraços!
sábado, 20 de junho de 2009
Sinais...
Bom dia pessoas!
Hoje, estarei postando aqui, a letra da primeira música oficial da "minha" banda (É estranho dizer que é minha, eu participo dela, não sou dono... mas enfim), Reborn, a música foi feita pelo Marcelo (guitarra), e a letra por mim, fala basicamente do "doloroso véu da morte", como diz na própria letra... espero que gostem! Ah, só pra constar... essa é a tradução, a letra original é em inglês.
Sinais
Mais uma vez,
O mesmo pesadelo.
Assim como antes,
Eu estou tentando descobrir...
O que há por trás
Desse doloroso véu da morte,
Por que nós devemos dizer adeus,
Antes do fim do percurso?
Longe,
Onde a doença está me tomando.
Eu estou longe,
Oh, você pode ver?
(Refrão):
Agora eu estou esperando pelos seus sinais,
Todos que eu preciso, toda noite.
Agora eu espero, em meus pensamentos,
Mas eu sei que é tarde demais.
Mais uma vez,
Eu não acho uma saída.
Assim como antes,
É difícil de se pensar sobre...
Meus olhos estão cansados
De tentar ver seu rosto,
Por que eu devo tentar gritar.
Se minha voz se perderá no espaço?
Longe,
Onde a doença está me tomando.
Eu estou longe,
Oh, você pode ver?
E todo esse tempo que eu passo aqui
Amedrontado, envergonhado, em isolamento.
Um preço que eu pago, nunca sabendo o porquê.
Hoje, estarei postando aqui, a letra da primeira música oficial da "minha" banda (É estranho dizer que é minha, eu participo dela, não sou dono... mas enfim), Reborn, a música foi feita pelo Marcelo (guitarra), e a letra por mim, fala basicamente do "doloroso véu da morte", como diz na própria letra... espero que gostem! Ah, só pra constar... essa é a tradução, a letra original é em inglês.
Sinais
Mais uma vez,
O mesmo pesadelo.
Assim como antes,
Eu estou tentando descobrir...
O que há por trás
Desse doloroso véu da morte,
Por que nós devemos dizer adeus,
Antes do fim do percurso?
Longe,
Onde a doença está me tomando.
Eu estou longe,
Oh, você pode ver?
(Refrão):
Agora eu estou esperando pelos seus sinais,
Todos que eu preciso, toda noite.
Agora eu espero, em meus pensamentos,
Mas eu sei que é tarde demais.
Mais uma vez,
Eu não acho uma saída.
Assim como antes,
É difícil de se pensar sobre...
Meus olhos estão cansados
De tentar ver seu rosto,
Por que eu devo tentar gritar.
Se minha voz se perderá no espaço?
Longe,
Onde a doença está me tomando.
Eu estou longe,
Oh, você pode ver?
E todo esse tempo que eu passo aqui
Amedrontado, envergonhado, em isolamento.
Um preço que eu pago, nunca sabendo o porquê.
sábado, 13 de junho de 2009
[Em Off]: Algumas novidades...
Bom dia pessoas!
Em breve ocorrerão algumas mudanças aqui no blog, uma delas é a mudança do topo, e, possivelmente também do Layout.
Também penso em fazer algumas coisas novas em relação ao conteúdo, dar uma variada, entendem? :)
Enfim, não sei quanto tempo vai demorar, mas quem acessar vai aos poucos notando as mudanças.
Conto com vocês!
Abraços!
- Dorival Cruz -
Em breve ocorrerão algumas mudanças aqui no blog, uma delas é a mudança do topo, e, possivelmente também do Layout.
Também penso em fazer algumas coisas novas em relação ao conteúdo, dar uma variada, entendem? :)
Enfim, não sei quanto tempo vai demorar, mas quem acessar vai aos poucos notando as mudanças.
Conto com vocês!
Abraços!
- Dorival Cruz -
quarta-feira, 4 de março de 2009
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Reflexão Tardia - Ato 4 ( Escapismo )
Nota: Atendendo a pedidos, segue abaixo o 4º capítulo, mas, venho através dessa, informar que é o último capítulo que estarei postando aqui no blog... Ainda não é o fim da história, mas eu irei modificar algumas coisas, acrescentar outras, para então tentar escrever o livro "Reflexão Tardia". Então, o restante da história, só mesmo com a publicação do livro... Espero que eu consiga!
Conto com vocês!
Obrigado!
Apesar do frio terrível que fazia naquela noite, Suzan e Vladic passaram horas no litoral conversando, Vladic tinha de tomar muito cuidado com tudo o que dizia, não queria em momento algum levantar suspeitas... Mas, por quê? Por quê todo esse cuidado? Não era tão mais simples atirar na moça e acabar de vez com tudo aquilo? Ora, mas que tipo de homem Vladic estava se tornando? Isso era hora pra procurar redenção?
A resposta para última pergunta, é sim, nunca é tarde pra procurar redenção, mas não era isso que ele queria, na verdade é impossível dizer o que ele queria, só sabe-se que matar Suzan, por incrível que pareça, era a última coisa que ele pensava.
Suzan era linda, embora, como já foi dito, estava notavelmente esgotada, sua beleza permanecia... tinha cabelos negros e lisos, grandes olhos castanhos e marcantes, pele clara e sem manchas, mas, apesar de tudo, tinha uma aparência triste.
Algo muito forte envolveu aquelas horas que os dois passaram juntos, tão forte, que, como vimos, evitou duas mortes trágicas, uma mescla de confiança e respeito nasceu tão rápido, que era algo difícil de acreditar que poderia se acontecer, em um espaço tão pequeno de tempo.
Entretanto, isso não trouxera nenhuma mudança tão significativa para Suzan, até o fato começar a ganhar sentido em sua mente.
Era evidente que Vladic era bem mais velho que ela, mas, mesmo em meados de seus 17 anos de idade, Suzan tinha uma mentalidade totalmente adulta, por esse motivo, era óbvio que ela não estava criando expectativas amorosas em relação à ele, mas já surgia uma pontinha de esperança, de que ambos poderiam se ajudar. E mais tarde, quem sabe, acabar mesmo se apaixonando; Afinal, Vladic era, apesar da idade, o tipo de homem que lhe atraía.
Esperança para ela, dificuldade para ele: Vladic sentiu que errou em deixar-se envolver daquela forma, agora qualquer passo em falso seria seu fracasso... Mas, que diferença faria?
Toda a diferença! O criminoso estava agora, disposto a virar o jogo. Embora sensibilizado, ainda continuava o mesmo, ora pois, sua personalidade ainda não aceitava derrotas, e graças ao fato inesperado, percebeu a ignorância de seu desejo de se entregar, coisa que nunca esteve em seus planos. Precisava pensar no que fazer, por um lado, Suzan seria útil se bem usada; Por outro lado, ele estava confuso e mexido, precisava encontrar um caminho que não o forçasse a cometer qualquer atrocidade com a moça, e nem que o fizesse se entregar a sentimentos muito fortes.
Ambos estavam, para todos os efeitos, ligados... De alguma forma ainda inexplicável, mas estavam. Não restava dúvidas de que muita coisa estaria por vir, mas por enquanto, fugiam de suas cruéis realidades, um vendo em outro uma forma de escapar dos fatos que lhes aterrorizavam dia e noite...
[Continua...]
Conto com vocês!
Obrigado!
Apesar do frio terrível que fazia naquela noite, Suzan e Vladic passaram horas no litoral conversando, Vladic tinha de tomar muito cuidado com tudo o que dizia, não queria em momento algum levantar suspeitas... Mas, por quê? Por quê todo esse cuidado? Não era tão mais simples atirar na moça e acabar de vez com tudo aquilo? Ora, mas que tipo de homem Vladic estava se tornando? Isso era hora pra procurar redenção?
A resposta para última pergunta, é sim, nunca é tarde pra procurar redenção, mas não era isso que ele queria, na verdade é impossível dizer o que ele queria, só sabe-se que matar Suzan, por incrível que pareça, era a última coisa que ele pensava.
Suzan era linda, embora, como já foi dito, estava notavelmente esgotada, sua beleza permanecia... tinha cabelos negros e lisos, grandes olhos castanhos e marcantes, pele clara e sem manchas, mas, apesar de tudo, tinha uma aparência triste.
Algo muito forte envolveu aquelas horas que os dois passaram juntos, tão forte, que, como vimos, evitou duas mortes trágicas, uma mescla de confiança e respeito nasceu tão rápido, que era algo difícil de acreditar que poderia se acontecer, em um espaço tão pequeno de tempo.
Entretanto, isso não trouxera nenhuma mudança tão significativa para Suzan, até o fato começar a ganhar sentido em sua mente.
Era evidente que Vladic era bem mais velho que ela, mas, mesmo em meados de seus 17 anos de idade, Suzan tinha uma mentalidade totalmente adulta, por esse motivo, era óbvio que ela não estava criando expectativas amorosas em relação à ele, mas já surgia uma pontinha de esperança, de que ambos poderiam se ajudar. E mais tarde, quem sabe, acabar mesmo se apaixonando; Afinal, Vladic era, apesar da idade, o tipo de homem que lhe atraía.
Esperança para ela, dificuldade para ele: Vladic sentiu que errou em deixar-se envolver daquela forma, agora qualquer passo em falso seria seu fracasso... Mas, que diferença faria?
Toda a diferença! O criminoso estava agora, disposto a virar o jogo. Embora sensibilizado, ainda continuava o mesmo, ora pois, sua personalidade ainda não aceitava derrotas, e graças ao fato inesperado, percebeu a ignorância de seu desejo de se entregar, coisa que nunca esteve em seus planos. Precisava pensar no que fazer, por um lado, Suzan seria útil se bem usada; Por outro lado, ele estava confuso e mexido, precisava encontrar um caminho que não o forçasse a cometer qualquer atrocidade com a moça, e nem que o fizesse se entregar a sentimentos muito fortes.
Ambos estavam, para todos os efeitos, ligados... De alguma forma ainda inexplicável, mas estavam. Não restava dúvidas de que muita coisa estaria por vir, mas por enquanto, fugiam de suas cruéis realidades, um vendo em outro uma forma de escapar dos fatos que lhes aterrorizavam dia e noite...
[Continua...]
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